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Médico é suspeito de cobrar R$ 1 mil reais por procedimento do SUS

Mulher e o marido gravaram conversa onde ele faz a cobrança. Profissional diz que 'não houve colocação no sentido de ilegalidade'.

Flavia Andrade
Capital News

Reprodução/Tv Morena

Médico é suspeito de cobrar R$ 1 mil reais por procedimento do SUS

Mulher e o marido gravaram conversa onde ele faz a cobrança. Profissional diz que 'não houve colocação no sentido de ilegalidade'.

Nesta sexta-feira (12), a Tv Morena divulgou denúncia envolvendo o médico obstetra Ricardo Chauvet, de Corumbá, como suspeito de cobrar R$ 1 mil para fazer cirurgia de retirada de um pólipo do útero pelo SUS. Segundo a matéria, a paciente, de 26 anos, e o marido gravaram conversa com o médico e em seguida registraram boletim de ocorrência na Polícia Civil. O casal não chegou a efetuar o pagamento.  De acordo com o profissional, não houve ilegalidade e as citações jurídicas estão sendo aguardadas.

 

Conforme o boletim de ocorrência registrado pelo casal, a paciente deu entrada na maternidade da Santa Casa de Corumbá no dia 23 de abril, dizendo estar com dores e sangramento no útero. O médico, após fazer pouco caso e dizer que ela estava com "frescura", afirmou que seria preciso uma operação para retirada de um pólipo e que o procedimento seria cobrado.

 

A paciente relata em entrevista a Tv Morena que, "Aí, foi quando ele começou com uma história de que o SUS pagava muito pouco para ele. [...] E que, se ele me pagasse esse mesmo valor, eu iria fazer faxina na casa dele. Eu fiquei, assim, perplexa com essa história", conta a jovem, que prefere não se identificar.

 

Como já estava internada pelo SUS, a paciente disse que ficou sem reação e que, após a chegada do marido, foi com ele até o consultório do médico, no próprio hospital, onde gravaram a conversa.

 

No áudio gravado pelo casal e cedido a Tv Morena, a declaração atribuída ao obstetra diz: "Eu não faço pelo SUS, tá? Por motivo simples. O SUS paga R$ 24 pra fazer isso. Eu não vou botar a mão no útero de mulher desse tamanho com cinco cesáreas anteriores por R$ 24". O interlocutor altera a voz quando fala sobre a característica física da paciente.

 

A conversa continua ainda durante a gravação: "...eu posso manter ela com a cirurgia pelo SUS e a gente faz acerto à parte. Em dinheiro, sem recibo e antecipado, tá? [...] Eu posso tentar te ajudar. Isso te custaria mil reais, tá? [...] Só que isso é ilegal, tá? Mas eu tenho duas opções: ou o ilegal ou eu não faço".

 

Após o término da conversa com o obstetra, a jovem fugiu do hospital, tentou registrar boletim de ocorrência na Polícia Civil, porém, segundo ela, o investigador que a atendeu afirmou que não havia crime na situação relatada. O registro policial só foi feito dia 09 de julho, na Delegacia de Atendimento à Mulher, e pelo crime de corrupção passiva.

 

Ainda durante reportagem veiculada pela TV Morena, a reportagem procurou pelo médico no hospital no horário em que ele deveria estar trabalhando, no entanto, ele não estava. Por telefone e sem saber que estava sendo gravado, afirmou ter conversado com a paciente, mas negou o conteúdo.

 

"...não conheço esse áudio. Mas eu sei exatamente o que foi dito lá dentro e não houve nenhuma colocação nesse sentido de ilegalidade", disse o médico Ricardo Chauvet.


Em nota, o Ministério da Saúde declarou a Tv Morena que, a gestão do SUS é tripartite, cabendo à União as diretrizes das políticas de saúde e aos estados e municípios a execução dos serviços, bem como a responsabilidade de toda a organização da Rede de Assistência à Saúde. "O Ministério não é responsável pela contratualização de médicos e servidores, e sim, os gestores locais", diz a nota.

 

Já a Secretaria Estadual de Saúde disse que tomou conhecimento do caso por meio da TV Morena e ressalta que repudia tal atitude médica.

 

Assim como, a Secretaria de Saúde de Corumbá disse que vai acompanhar a investigação que será feita pelo hospital/maternidade.

 

Também procurada, a direção da Santa Casa informou que aguarda o posicionamento técnico para que defina quais medidas deverão ser adotadas diante do fato, colocando-se à disposição da Justiça para auxiliar no que for necessário.

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