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Cotidiano Quarta-feira, 07 de Junho de 2017, 16:45 - A | A

Quarta-feira, 07 de Junho de 2017, 16h:45 - A | A

Efeito delação

Com acordo de leniência assinado pela J&F, aumenta rumores sobre venda da Eldorado em Três Lagoas

Grupo de Joesley Batista entrou em acordo para pagar mais R$ 10 bilhões e empresa de celulose pode ser uma das vítimas

Gian Nascimento
De Três Lagoas para o Capital News

Bruno Chaves/Arquivo Capital News

Eldorado Brasil, fábricas de celulose, produção de eucaliptos

Com alto valor a ser pago ao MPF, empresa com sede em Três Lagoas deve ser vendida

Os rumores sobre a possível venda da indústria de celulose Eldorado, em Três Lagoas, que já eram fortes, se intensificaram nesta semana com a assinatura do acordo de leniência entre o grupo J&F e o Ministério Público Federal (MPF), onde os investidores, comandados pelos irmãos Joesley e Wesley Batista, se comprometeram a pagar R$ 10,3 bilhões em ressarcimento aos danos causados com as propinas distribuídas nos últimos anos.

De acordo com executivos do setor, a venda da indústria, que tem a maior linha única de celulose do mundo, poderia colaborar diretamente no repasse do alto valor, que tem como destino principal a União, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Caixa Econômica Federal, FGTS e os fundos de pensão Petros (Petrobras) e Funcef (Caixa), que receberão R$ 8 bi, enquanto outros R$ 2,3 bi, serão financiados em projetos sociais indicados pelo MPF.

A estimativa é que a empresa esteja avaliada em aproximadamente R$ 2 bilhões atualmente, porém, segundo a revista Exame, a dívida em torno de $ 6 bilhões, pode emperrar as negociações. Outras empresas do grupo como a Alpargas – avaliada em R$ 3,1 bilhões, porém com débito de R$ 3,3 bilhões com a Caixa – e a Vigor – estimada em R$ 4 bilhões – também podem ser vendidas para elevar as possibilidades de quitação da J&F. O empresário Joesley Batista já não faz mais parte do Conselho de nenhum das fábricas.

Logo após a delação e o início dos rumores sobre a venda da Eldorado, a Fibria, principal concorrente no ramo de celulose passou a ser especulada como grande candidata a comprar as ações da indústria dos irmãos Batista. Em nota encaminhada à imprensa, porém, a fábrica que também tem linha de produção em Três Lagoas, negou qualquer negociação.

O projeto de expansão da Eldorado, previsto inicialmente para ocorrer em 2018, foi adiado para 2019 e só deve começar no ano seguinte. No fim no mês passado, a Fitch Ratings, uma das três maiores agências de classificação de risco de crédito, rebaixou a classificação da Eldorado, indicando um risco elevado e deixando a empresa em estado de observação para um possível novo rebaixamento.

Inaugurada em 12 de dezembro de 2012, a Eldorado Brasil teve um investimento de mais de R$ 6 bilhões. Na delação, Joesley admitiu que a empresa foi construída por meio da propina que facilitou financiamentos à companhia.

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