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Opinião
Quinta-Feira, 28 de Maio de 2020, 14h:27
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Minha casa meu lugar seguro

Por Viviane Vaz*

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Campanha de combate ao abuso sexual infantil

 

O slogan “Minha casa meu lugar seguro!” escolhido pelo Projeto Nova traz foco para a campanha de prevenção em ao abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes no ano de 2020. Com objetivo de combater este mal que aflige silenciosamente a infância.  Segundo o Ministério de Direitos Humanos 1 a cada 3 meninas sofrerão algum tipo de violência sexual até completar 18 anos, a cada uma hora 3 crianças são abusadas no Brasil.

Divulgação

Viviane Vaz - Artigo

Viviane Vaz


Para chamar a atenção da população em dias de pandemia mundial respeitando o isolamento social usa a internet e realiza ações virtuais com foco nas famílias. O momento de pandemia agravou os índices. Considerando que 80% dos abusos que em sua maioria acontecem dentro de ambiente familiar e por isso sua gravidade são maior, violências que são silenciadas pela dor e medo, tornando pessoas em objetos, fotos compartilhadas através de smartfones com partes íntimas expostas, gerando uma série de problemas na identidade da pessoa exposta e uma frieza nos que compartilham, cada vez mais as pessoas estão se tornando indiferentes as dores do próximo, e a achando normal a degradação do ser humano.


Como pautado em todos os veículos de comunicação nos últimos anos, a gênese do Maio Laranja é o Projeto Nova, referência regional e nacional em assistência psico social, ações educativas, e de combate a estes tipos de violência. Que desde 2013 realiza ações de alusivos ao dia nacional de combate ao abuso e exploração sexual, dia 18 de maio, e no ano de 2017 em parcerias com sociedade civil de Campo Grande resolveu ampliar as ações chamando a atenção das pessoas para esta causa, dando uma cor para sinalizar a causa. A lei número 5118 de 2017, autoria do deputado Herculano Borges e sancionada pelo governador Reinaldo Azambuja, responde ao clamor da sociedade na medida em que propõe uma agenda efetiva e forças unidas contra esta tragédia em nossa sociedade.


Nos anos seguintes vários municipios do Mato Grosso do Sul, tornaram o Maio Laranja leis municipais. A campanha foi ganhando visibilidade e este ano em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH) lançou, dia 27 de maio de 2020, a campanha de proteção a exploração sexual de crianças e adolescentes, intitulada Maio Laranja. (fonte https://www.gov.br/mdh/pt-br/assuntos/noticias/2020-2/abril/ministerio-lanca-a-campanha-maio-laranja). A campanha hoje ganhou forças o que remete ao fato de que as denúncias de abuso infantil aumentaram significativamente. Denunciar é o primeiro passo e  unido a prevenção é possível enfrentar esse mal que devasta a história de uma pessoa.


É preciso proteger a infância!! Crianças e adolescentes precisam saber que suas partes íntimas não podem ser tocadas por outra pessoa! Que quando receberem algum toque ruim deve ser falado para um adulto da sua confiança! E que ela não tem culpa do que aconteceu! Não podemos publicar ou compartilhar fotos de crianças ou adolescentes com suas partes íntimas expostas! Tudo isso é crime!


Fique atento aos sinais de uma criança ou adolescente que pode estar sofrendo abuso: Alterações nas atividades fecais; seqüelas físicas (marcas, dores ou dsts), sexualização exacerbada pra idade; condutas auto-agressivas; auto-estima muito baixa, tristeza, ansiedade, perda do sentido da vida, suicídio.


É importante entender que não é necessário falar para a criança sobre suas hipóteses, apenas ouvir e acreditar nela, através de um dialogo de segurança e acolhimento! Se forem constados os fatos, você pode pedir ajuda ao: conselho tutelar da região, disque 100, redes publicas de proteção a criança e ao adolescente. Encaminhe para tratamento médico e psicológico o mais rápido possível. A sociedade não pode se omitir diante destas tragédias e precisa ser local de proteção, oferecendo sigilo e proteção para a vítima. Fazer justiça com as próprias mãos, agir no calor da ira e tornar públicas tais atrocidades não surtem efeitos positivos. A justiça legal pertence ao estado, e a omissão também pode incorrer em delito.

O objetivo do Projeto Nova é transformar ciclos de violência em ciclos de acolhimento e amor, este é um projeto da FUNASPH – Fundação de Assistência a Pessoa Humana - que nasceu em 2011 com vistas da necessidade urgente do desenvolvimento de ações que ajudem às pessoas envolvidas na exploração sexual e abuso, que estão privadas de relações interpessoais humanas, vivendo violências (físicas, sexuais e psicológicas), ficando expostas a drogas entre outras situações, a fim de que saiam dessa situação de alto risco para ela e seu núcleo familiar. Se assim desejarem levá-las a se enxergar como pessoas concretas e não uma mercadoria, numa perspectiva puramente mercantil.


Neste sentido, a proposta visa à implementação de ações que ampliem nossa capacidade de contribuir para a “PROMOÇÃO E UNIVERSALIZAÇÃO DE DIREITOS EM UM CONTEXTO DE DESIGUALDADES”. É certo que através de ações humanitárias, oportunidades e atendimento especializado pode influenciar essas pessoas positivamente, gerando sentimentos de autoconfiança, independência e liberdade, afim de que desenvolvam sua cidadania e se estabeleçam economicamente.


As atividades realizadas por esse projeto incluem: Atendimento Psicológico, Aconselhamento e Psicoterapias individuais e em grupo, Arte Terapia, Encaminhamento Médico e Odontológico; Assessoria Jurídica, Doação de Cestas Básicas; Leite e Fralda para bebês; Empreendedorismo; Incentivo ao aumento da escolaridade; Reuniões sociais com palestras motivacionais; etc. Atividades mantidas apenas com doações e trabalhos voluntários.

 

 

*Viviane Vaz

Graduou-se em Bacharel Missiologia em 2002 em Campo Grande/MS. Formou-se em Psicanalise Clínica em 2003, Niterói/RJ. Coordenadora em tempo integral do Projeto NOVA e também oferece atendimento psicanalítico às vítimas de violência sexual. Palestrante e Militante dos direitos da Criança e adolescentes,  Escritora de artigos para blogs e jornais online. Membro Academia Feminina de Letras e Artes de Mato Grosso do Sul – AFLAMS – Cadeira 16

Autora do Livro: “Infância Amputada – O Cuidado de Sobreviventes da Violência Sexual e Prostituição.” lançado em 2016.
Co-Autora do livro infantil “Meu corpo é meu amigo” que trata da prevenção ao abuso sexual infantil de maneira lúdica e delicada, destinado ao publico de 04 a 10 anos. Lançado em 2020. Link para baixar o livro gratuitamente - https://mailchi.mp/df7c6fadc5ed/livroinfantil
Para mais informações: e-mail vivi.vaz@gmail.com, ou acesse o site projetonova.com.

 

 

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